De Lua
Consumir e ser consumido

Após ler um texto escrito pelo prof. Paulo Brack (disponível no blog Adaga do Xiru Occam), resolvi recomendar por aqui um das referências que ele cita - O Império do Consumo, do Galeano

Hoje estava pensando sobre como é fácil consumir. O único esforço aparente é o de escolher o próximo objeto de consumo… Então você desembolsa uns pilas e, tchanan: comida pronta, roupa nova, tudo da melhor e mais avançada tecnologia… e a tal da obsolescência planejada - que a cada dia está mais na mente das pessoas do que na vida útil dos objetos.

Quanto mais você consome, mais vontade tem de consumir e, é claro, é preciso trabalhar (ou explorar quem trabalha) muito mais. Os fiéis do consumo esquecem de ensinar suas crianças de onde vem o leite e deixam o Zaffari fazer seu trabalho (quem não viu, assista o vídeo do link), já que confinam seus filhotes na frente de uma televisão enquanto estão vendendo suas almas para o tal Dinheiro… e por que o fazendeiro não vai no Zaffari?

Sabe o que é pior? Ele vai… Não no Zaffari, que é “mercado de burguês”, mas no mercadinho da cidade. Vai e compra lá o leite que ele tira da vaquinha e vende pra uma empresa maior; compra a galinha que ele produz no aviário, expondo-se a doenças respiratórias, sem poder criar galinhas soltas no pátio (as tais caipiras); compra o maço de cigarro produzido com o fumo que o deixou hospitalizado por estresse e mais doenças respiratórias (na melhor das hipóteses); compra açúcar refinado, já que é vergonhoso oferecer às visitas o açúcar mascavo que ele produz.

Nunca é o suficiente.

Nosso trabalho nunca pagará todas as coisas que queremos consumir.

Nosso dia nunca terá tantas horas quanto gostaríamos que tivesse.

O dia nunca será suficientemente bom, por que a insatisfação é interna e exteriorizada. Estamos sendo consumidos e o pior é que não fazemos absolutamente nada pra mudar, por que achamos normal… NORMAL?!

É tão normal quanto deixar que milhares de hectares de floresta sejam destruídos pra gerar mais energia, quase totalmente voltada pra mega-empresas que extraem a riqueza do estado/país/planeta para exportá-la. Que retorno nos dão? Confiança internacional? Claro, para que cada vez mais nossas riquezas sejam exploradas, nossas matas queimadas/inundadas, nossa fauna extinta… Para que nossos trabalhadores precisem trabalhar mais para ganhar mais e consumir mais, ao invés de terem um bom atendimento público (no transporte, na saúde, na educação). Brasil, o país da classe média infeliz, com doenças relacionadas ao estresse, mas que CONSOME!

Consome-SE.

Enfim…

Recomendo o texto do Galeano (link lá em cima) e aproveito pra divulgar a abaixo-assinado online contra a UHE Pai Querê e o blog da campanha Pai Querê, pra quê? - SOS Rio Pelotas.

Atémas.

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